quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

É manhã e eles dormem














É manhã cedo. 
Ainda dormem as aves e as águas,
Dormem os pés e os automóveis, 
Adormecem as casas e as palavras. 
Só meu coração pulsa poesia. 
Bom dia... Dia!


(Alcides Vieira)

segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

Uma história sem detalhes





















Choveu e um beijo aconteceu. 
Eles,
Que eram duas ilhas, 
uniram-se na mesma porção d'água.
O que aconteceu depois 
Não é história para ser contada, 
Porque eles não contaram.
Eles viveram!

(Alcides Vieira)


terça-feira, 29 de agosto de 2017

Não te esqueças

Imagem: Alcides









Se queres que a tua vida
Seja uma primavera
Não te esqueças de plantar as flores.

Se queres que a tua vida
Seja uma primavera
Não te esqueças de cuidar das flores.

Por fim,
Se queres que a tua vida
Seja uma primavera
Não te esqueças de agradecer
Por suportares o longo inverno.

                                                                   (Alcides Vieira)



quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Os peixes não multiplicam












Queria olhar os lírios do campo
E perguntar: se não tecem nem fiam,
Por que o maná lhes confiam?
Mas estando eu em meu barco
O que tem o mar a me dizer
Às três horas da manhã?
A lua cheia me vira as costas
E vai se dar ao poeta.
As estrelas nada me explicam.
Lanço a rede em águas profundas
Mas os peixes não multiplicam. 

                                           (Alcides Vieira)

terça-feira, 11 de outubro de 2016

Durou só o tempo de um beijo













Foi um beijo quente,
Reticente...
Me deixou ausente, 
Tirou meus pés do chão.
Assalto a mão desarmada,
Eu me entreguei de mão beijada
Na palma da sua mão.
Foi um beijo de novela,
Fim de um filme de amor.
Foi só "kiss and say goodbye",
Mas o sentimento não se esvai.
Beijo cheio de sensações
Que prometeu não deixar saudade.
Durou só o tempo de um beijo,
Mas para mim soou
Eternidade...

                                    (Alcides Vieira)

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Ameixas verdes e amarelas


















As hienas alienadas
Riem da situação:
Entre togas, becas e botas,
Raposas farsantes, magistradas,
Ferem a Constituição.
O poeta desanima,
Não consegue nenhuma rima.
Sabe que a saída é pela esquerda.
“Com a chave na mão
Quer abrir a porta,
Não existe porta”
Mesmo assim ele tenta,
Passa perto das hienas
Que depois de caírem em si
Dão um sorriso amarelo.
Mas é tardio o momento
Para arrependimento.
As botas avançam depressa
Para conterem manifestações.
Cala boca já morreu
Mesmo assim restou o peito
E o poeta lembra uma rima
Que agrada aos homens brancos
E as hienas burras não entendem;
“Ameixas
Ame-as
Ou deixe-as”.

                                                  (Alcides Vieira)

sábado, 9 de julho de 2016

Procurando assombração






















É tamanho o silêncio que se faz,
Que nem sozinho eu falo mais.
Nem seu nome eu pronuncio
Andando na sua rua. 
No chão as folhas caídas
Sem esperanças de outra estação. 
As memórias são distorcidas:
Beijo, abraço, aperto de mãos
Amputadas pelo tempo.
Eu sei que plantei o vento,
Mas nem tempestade posso colher.
No deserto da sua porta
Espero seu rosto aparecer.
Só que não, nada acontece;
Tudo é vazio e sem direção.
Sou como um fantasma no cio
Procurando assombração...

(Alcides Vieira)



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